O curso de licenciatura em Educação Física da Escola Superior de Educação Física da Alta Paulista, reconhecido pelo MEC pelo Decreto nº 73.146 de 12/11/1973, vem sendo ministrado em Tupã desde a década de 70. O curso funciona no período noturno e oferece anualmente 200 vagas.
Vale observar que este curso, além de ser o único ofertado nesta área da Educação Física no Município de Tupã, é o mais antigo da região da Alta Paulista.
O interesse pelo curso pode ser observado pelo número de candidatos inscritos nos últimos vestibulares, da ESEFAP.
No limiar de um novo século, vivemos um período de transição que projeta revoluções e mudanças de paradigmas em todos os campos de conhecimento humano. A educação, no rastro dessa mudança, sustenta um processo de revisão de conceitos, valores e condutas num momento em que intensificam-se os impactos socioeconômicos e culturais que se propagam com a velocidade dos acontecimentos, frutos das evoluções científica, tecnológica e do processo de globalização vivenciado pela sociedade contemporânea.
Nesse novo tempo, a principal característica é o acúmulo de informações em todos os domínios. E neste sentido, embora o conhecimento não seja produzido exclusivamente no ensino superior, é nele que se qualifica grande parte dos profissionais e dos pesquisadores que integram as instituições que estão no mercado produzindo ciência e tecnologia.
O saber e o conhecimento no mundo globalizado parecem perder muito de sua função de busca de sentido para a vida, para tornar-se “produto comercial de circulação” orientado pelo paradigma da aplicabilidade.
A relação do conhecimento com sua aplicabilidade, enquanto serviço e produto comercial de circulação, e a velocidade requerida por esse processo, vêm produzindo um deslocamento do papel social do ensino superior. De um lado, este contribui para o desenvolvimento científico contemporâneo, formando quadros e gerando conhecimentos para esta sociedade. De outro, está a serviço de uma concepção universal de cidadania. Enquanto participante deste desenvolvimento, ele será, ao mesmo tempo, crítico do modelo econômico globalizado e parceiro do setor produtivo.
Enquanto promotor da cidadania universal orientará parte significativa de sua produção de saber pelos interesses sociais mais amplos. Assim, parece fundamental que o ensino superior, por todas as suas ações, busque o equilíbrio entre competência técnico-científica e competência humanística. Ela deverá se orientar, não só pelos desafios científico-tecnológicos, mas também pela questão ética que diz respeito a toda amplitude da existência humana.
Diante dos desafios colocados, tanto pela conjuntura histórica como pelo papel a ser desempenhado pela educação superior, a Educação Física, no conjunto da comunidade educacional, vem ganhando maior importância no complexo papel de transformadores de cultura e da melhoria da qualidade de vida da sociedade.
Pode-se perceber que na Educação Física brasileira, especialmente, nos últimos anos, se por um lado, alguns de seus profissionais persistem no modelo tradicional centrado no desenvolvimento de atividade com fins em si mesma, por outro lado, muitos avançam cada vez mais no desenvolvimento de projetos voltados a uma Educação Física comprometida com finalidades mais amplas, para além de sua especificidade, inserida nas políticas educacionais de tendência crítica da Educação brasileira.
Neste contexto, a Educação Física, entendida como meio e fim educacionais, área de conhecimento e profissão, estuda o movimento humano, movimento que adquire a forma de uma linguagem que se expressa por signos, representando a unidade indissolúvel do corpo, ao mesmo tempo fisiológica, psicológica, cinesiólogica, biomecânica, técnica e outras que se constituem na relação intersubjetiva entre sujeitos em dado contexto social-cultural-histórico. Essa linguagem do movimento, enquanto diálogo do ser humano e mundo, concretiza-se em diversas práticas culturais, ações pedagógicas condicionadas a certos valores específicos da realidade concreta, denominada cultura corporal que abrange os esportes, as danças, os jogos, as lutas, as ginásticas, dentre outros.
Essas manifestações culturais ocupam lugar de destaque nos anseios populares, nas políticas públicas, privadas e de terceiro setor, e em especial na Educação Básica, da qual a Educação Física passou a ser considerada componente curricular pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional , Lei nº 9394 de 1996.
Essas mudanças têm desafiado os profissionais de Educação Física, em especial os licenciados, a dialogarem com as outras áreas de conhecimento, não só na perspectiva da interdisciplinaridade , mas também na integração teoria/prática, ou seja, na relação dos conhecimentos estudados com a realidade educacional.
A ESEFAP, compromissada com essas novas demandas impostas pela área de Educação Física, pelo mundo globalizado e pela legislação vigente, decidiu reformular o currículo de curso de Licenciatura de Educação Física buscando a formação de profissionais competentes para atuar como educadores nessa nova realidade.
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